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Seção: Projetos  

Matemática fora da caixa


Alunas do Mestrado Profissional em Matemática desenvolvem práticas inovadoras e levam arte para o ensino da Geometria

 

As alunas do Mestrado Profissional em Matemática – Profmat - Thaís Sales, professora do Colégio Estadual Dôrval Ferreira da Cunha, Erica Barboza, do Ginásio Carioca Embaixador Araújo Castro, e Bruna Rodrigues, da Escola Municipal Santa Isabel, são mais do que profissionais criativas. São exemplos de profissionais.

No desenvolvimento de suas pesquisas, todas as três apostaram em metodologias inovadoras para buscar resultados consistentes na aprendizagem da Geometria. Em suas dissertações abordaram, respectivamente, o ensino de poliedros usando a tridimensionalidade, a Geometria aplicada às Artes e a Tecnologia, e o ensino de curvas cônicas utilizando origami, e já estão colhendo os frutos na sala de aula e fora dela: aumento do número de alunos, melhoria de desempenho e muita motivação.

Orientadas pelos professores Marcos Craizer (Thaís) e Christine Sertã (Érica e Bruna), do Departamento de Matemática, as alunas-professoras falaram à Assessoria de Comunicação da Vice-Reitoria Acadêmica sobre suas experiências e conquistas.

 

Contem um pouco sobre suas trajetórias e experiências no ensino da matemática na rede pública.

Thaís Sales - Me formei em 2010 e, logo em seguida, comecei a exercer a profissão. Desde então, vivo a necessidade de levar a Matemática de forma atraente, de maneira a despertar no aluno o interesse em aprender o conteúdo a ser trabalhado, pois a sala de aula tem que atrair mais do que toda a tecnologia e lazer que o rodeia. Sempre que tem espaço, eu uso a tecnologia a meu favor na hora de trabalhar os conteúdos.

Érica Barboza - Sou professora da rede pública há 10 anos. Mesmo com toda dificuldade, busco fazer o meu melhor. Tenho prazer em ver um aluno crescer e progredir nos estudos. Penso que quando se faz algo com dedicação, em algum momento, coisas boas acontecem.

Em 2013, por exemplo, como resultado do empenho de todos da escola (professores, apoio e direção), os alunos do Ginásio Carioca Embaixador Araújo Castro conquistaram o 3º. lugar nas Olimpíadas Internacionais de Matemática e fomos (eu, seis alunos, a diretora e uma professora de inglês) representar o Brasil na segunda etapa da Olimpíada, na Índia, patrocinados pela Fundação Qatar. Além da Índia, a Fundação Qatar nos levou para o Qatar e conhecemos, entre outros lugares, as instalações escolares da Fundação. Foi um momento muito importante para todos nós.

 Érica Barboza levanta placa e a autoestima da escola na Olimpíada Internacional de Matemática, na Índia - divulgação</STRONG><STRONG> 
 Érica Barboza levanta placa e a autoestima da escola na Olimpíada Internacional de Matemática, na Índia - divulgação 

Com o acesso ao Profmat, tive a minha disposição corpo docente e estrutura maravilhosos. Com o apoio e a orientação da professora Christine Sertã, referência para mim, as coisas boas continuaram acontecendo.

Bruna Rodrigues - Sou professora do município e atualmente também dou aula num curso de licenciatura de matemática na FEUC (Fundação Educacional Unificada Campograndense), zona oeste do Rio de Janeiro. A Matemática sempre foi a minha paixão e não me imagino trabalhando em outra área além do ensino.

Como, em suas dissertações, despertaram para o uso de poliedros, obras de arte e origami no apoio ao ensino da Geometria?

Thaís - Ao ver que os poliedros são deixados um pouco de lado pelo conteúdo exigido pela Secretaria Estadual de Educação (currículo mínimo), mas constituem matéria de muita importância para o desenvolvimento de algumas habilidades como a visualização, decidi trabalhar com essa parte da Geometria e ir além do que o currículo mínimo propõe.

Érica - A professora Estela Kaufman Fainguelernt publicou um livro no qual conta sua experiência com uma atividade em que utilizava a Arte para ensinar Matemática. Ela oferecia ao aluno uma obra de arte, fazia alguns questionamentos matemáticos sobre ela e propunha uma releitura da obra. Ela não utilizava tecnologia.

Como a minha escola fica a 50 km do centro do Rio de Janeiro e numa região menos favorecida financeiramente, os alunos têm pouco acesso às atividades culturais e à tecnologia. Pensei então em aliar a ideia da professora Estela com o uso de uma tecnologia e, desta forma, aproximar os alunos das Artes e possibilitar o uso de um computador que estava ocioso na escola.

A meu ver, observar figuras e conceitos geométricos numa obra de arte é mais interessante do que observá-la por si só e os alunos manifestaram essa preferência nos preenchimentos dos Questionários de Avaliação da Atividade.

Outro ponto de vista é que o aluno tem sua autoestima aumentada quando percebe, por exemplo, que estudou Geometria com uma obra de Tarsila do Amaral e reconhece a obra numa propaganda do Museu de Arte do Rio sobre uma exposição de Tarsila do Amaral. E como gostam muito de computadores, o uso da tecnologia só somou ao interesse do aluno pela atividade.

Bruna – O interesse por desenvolver métodos de ensino da Geometria surgiu desde o momento em que percebi que os alunos apresentavam pouca compreensão do assunto. No município, principalmente, a ênfase ao ensino da Geometria é mínima, o que gera uma enorme lacuna no raciocínio e compreensão do espaço para os alunos, visto que a matéria tem um papel importante nestes aspectos. 

Portanto, escrever sobre o ensino da Geometria sempre foi a minha intenção. A ideia do origami surgiu através de uma sugestão da minha orientadora Christine Sertã. No momento, eu não imaginava que a arte de dobrar papéis poderia desenvolver tão bem assuntos importantíssimos da Geometria. Atualmente, tenho inserido o origami nas minhas aulas e os resultados têm me surpreendido bastante.

Como trabalham suas dissertações na prática com os alunos?

Thaís - Na dissertação, eu coloco uma maneira diferente de abordar os conteúdos através do estudo de poliedros e sugiro o estudo dos Poliedros de Arquimedes, além dos Poliedros de Platão, para desenvolver melhor o conteúdo. Em sala, esse trabalho é posto em prática e avaliado o desenvolvimento dessa metodologia.

Com canudos, elásticos e massas de modelar, os alunos estudaram e construíram seus próprios poliedros e acompanharam, pela primeira vez, o conteúdo escolar sendo trabalhado de forma tridimensional, pois o colégio conta com a Sala Sesi de Matemática, que tem quadro touchscreen e acesso à internet.

O estudo da geometria espacial na superfície plana pode ser complicado para alguns estudantes. Com a construção dos poliedros em 3D, com o auxílio de um software específico, os conceitos de face, vértice e arestas foram identificados mais rapidamente, assim como algumas relações puderam ser visualizadas com maior facilidade.

 Turma constrói poliedros: no quadro touchscreen, ao fundo, tridimensionalidade auxilia entendimento - divulgação</STRONG><STRONG>
 Turma constrói poliedros: no quadro touchscreen, ao fundo, tridimensionalidade auxilia entendimento - divulgação

Érica – A dissertação de mestrado que deu origem a este trabalho - Geometria, Artes e Tecnologia na escola em favor do processo de ensino-aprendizagem, 2015 - analisou o comportamento de artes e Geometria ao longo da história e observou como a interação entre essas disciplinas pode ser enriquecedora ao estímulo e aprendizado da Geometria.

A pesquisa apresentou uma atividade interdisciplinar que procurou desenvolver o ensino de tópicos de Geometria interagindo com Artes e Tecnologia, levando em consideração a realidade tecnológica e social das escolas públicas do município do Rio de Janeiro, principalmente das escolas distantes dos grandes centros urbanos, quanto ao que se refere à tecnologia disponível – equipadas com netbooks nem sempre modernos e um acesso à internet vacilante – e ao pouco acesso às atividades culturais.

Por intermédio da atividade, são apresentadas ao aluno informações sobre vida e obra do autor da arte trabalhada e instruções para a construção do conhecimento geométrico no aluno - através do software Geogebra-, proporcionando-lhe autonomia no aprendizado.

É preciso estar atento à obra escolhida para que esta traga os elementos necessários para o desenvolvimento do conteúdo de Geometria que será abordado.

Bruna - A minha dissertação abordou o ensino das curvas cônicas. É um assunto muito pouco trabalhado no Ensino Médio. Por ser um tema que associa a Geometria aos métodos algébricos, é comum que os aspectos geométricos sejam esquecidos. No entanto, existe uma riqueza de definições que precisam ser exploradas também. É neste momento que a Geometria do origami entra, pois existem diversos axiomas que definem as dobras referentes à construção.

A prática do uso do origami no ensino das curvas cônicas aborda todas estas definições geométricas que são esquecidas, além de propiciar um espaço lúdico e prazeroso. Acredito também que o uso de materiais manipuláveis facilite a compreensão da Geometria e o origami é um excelente material pois, além de completo no sentido axiomático, é um recurso barato e acessível nas escolas.

 "</STRONG>A prática do uso do origami no ensino das curvas cônicas aborda todas estas definições geométricas que são esquecidas" - divulgação<STRONG>
 "A prática do uso do origami no ensino das curvas cônicas aborda todas estas definições geométricas que são esquecidas" - divulgação

A dissertação teve o intuito de expor uma proposta de ensino para ser utilizada nas salas de aula e, por isso, fizemos uma oficina com futuros professores de um curso de licenciatura em matemática.

Como disse anteriormente, a dissertação me inspirou para que eu passasse a utilizar este recurso em sala de aula e, atualmente, tenho trabalhado com o origami nas minhas aulas de Geometria no Ensino Básico.

 

Como enxergam a sua vida profissional a partir da experiência no mestrado da Matemática e da inserção da proposta de pesquisa nas turmas?

Thaís - Desenvolver esse trabalho de mestrado me deu ânimo para desenvolver outros trabalhos com resultados positivos, pois vi nos alunos o interesse pelo conteúdo, e, ao final do trabalho, eles sendo protagonistas. Me sinto muito realizada e penso em um futuro doutorado, pois a formação continuada do professor é fundamental para inserir novas metodologias de ensino na sala de aula.

Érica - A dissertação e a pesquisa feitas têm dado frutos. Estou estimulada em contribuir, mesmo que timidamente, para a melhoria do ensino de matemática. As atividades continuam sendo desenvolvidas na escola e tenho obtido resultados otimistas. Quero continuar divulgando a proposta para que outros professores possam reproduzi-la em suas escolas. Quero continuar estudando e me capacitando para melhor desempenhar o papel de professora e obter, efetivamente, progressos no ensino de matemática. 

Bruna - A maturidade e o conhecimento que o mestrado me proporcionou são aspectos inquestionáveis na minha vida profissional.  Sem dúvidas, minha prática em sala de aula é muito melhor e tenho o desejo de continuar estudando e pesquisando. Sobretudo, aprendi muito com a minha orientadora, através da sua conduta profissional, ética e conhecimento. O mestrado verdadeiramente foi um divisor de águas na minha carreira. Sou muito grata à PUC-Rio e à CAPES por essa oportunidade.

Sobre o Profmat:

A PUC-Rio é a única universidade particular do país a integrar a Rede Nacional no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e desde 2012 oferece o Profmat. 

O Profmat é reconhecido pela CAPES e coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática, e tem o objetivo de estimular a melhoria do ensino da disciplina em todos os níveis de escolaridade. 

 

Por Renata Ratton

Assessoria de Comunicação

Vice-Reitoria Acadêmica

Publicada em: 07/07/2015

 
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