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Imagem de uma das entradas da PUC-RIO pela Rua Marquês de São Vicebte
 


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Câmara de Ética em Pesquisa da Universidade promove ciclo de palestras em parceria com CBCISS e SESC/SP

Professor Marcelo Andrade, da Educação, é primeiro palestrante e fala sobre Ética, Educação e Interculturalidade

 

A Câmara de Ética em Pesquisa da PUC-Rio, órgão vinculado ao Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP), foi instalada em 2003, com a atribuição de elaborar um conjunto de princípios e normas sobre a ética e a pesquisa na Universidade e emitir pareceres, quando solicitada, sobre os aspectos éticos dos projetos de pesquisa.

- Vale ressaltar que a PUC-Rio sempre deu importância à questão no contexto científico e cultural e sempre esteve preocupada com a ética na formação de seus alunos e no desempenho do trabalho de seus professores, pesquisadores e funcionários, salienta a professora Ilda Lopes, assessora de ética em pesquisa da vice-reitoria acadêmica.

Nos dois últimos anos, além dos pareceres, a câmara vem realizando uma série de encontros e palestras para professores da PUC-Rio, com o intuito de suscitar discussões e reflexões em torno da ética em pesquisa envolvendo seres humanos, trazendo docentes de outras instituições para apresentar suas experiências, assim como favorecendo encontros internos.

Está em curso uma parceria com o Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS) e o SESC/SP para a efetivação de um conjunto de palestras envolvendo temas relevantes para o contexto atual e reflexões éticas pertinentes.

Como primeira palestra, foi realizada em São Paulo, no Centro de Pesquisa e Formação do SESC/SP, a palestra Ética, Educação e Interculturalidade, proferida pelo professor Marcelo Andrade, do Departamento de Educação, ministrada, em seguida, no Rio de Janeiro, no último dia 10.

-  O debate estabelecido em São Paulo propiciou um importante aprofundamento dos tópicos apresentados na palestra, especialmente em virtude da pluralidade da plateia. A ideia da parceria com o CBCISS e o SESC/SP é expandir o alcance das discussões sobre ética frente às questões atuais, salienta a professora Ilda Lopes.

Atuante na linha de pesquisa Multiculturalismo e Educação, que trabalha a questão da diversidade no campo educacional, o professor Marcelo Andrade integra o Grupo de Estudos sobre Cotidiano, Educação e Culturas (GCEC), que, este ano, completa 20 anos, e foi fundado pela professora emérita Vera Maria Candau.

Marcelo Andrade coordena uma equipe de pesquisa interinstitucional dentro desse grupo, que trabalha principalmente com a questão dos impactos do clima de preconceito e discriminação sobre a aprendizagem das crianças.

Com formação em filosofia, o professor defendeu, na palestra, a ideia de uma ética intercultural, que promova o diálogo entre as diferentes identidades culturais em uma sociedade plural, diversa.

- Trabalho essa proposta a partir do princípio da tolerância, um mínimo ético, segundo a filósofa espanhola Adela Cortina – que tem sido bastante traduzida ultimamente, e, inclusive, esteve na PUC no ano passado.  

Para a filósofa, existem duas éticas: as de mínimos exigíveis e as de máximos aconselháveis. Ela ancora essas duas ideias, respectivamente, em dois conceitos: o de justiça e o de felicidade. Felicidade é o que se faz para se realizar, algo muito subjetivo; mas nenhuma sociedade consegue estabelecer aonde quer chegar (máximo) sem éticas mínimas – um mínimo abaixo do qual se infringe o respeito à dignidade humana. “Esse mínimo evolui com o tempo. Há alguns anos, a escravidão era legal; ou era socialmente tolerado lavar a própria honra com sangue”, pontua Marcelo.

Para o professor, a ideia de tolerância nesse campo das diferenças é muito importante, pois se tem visto, cada vez mais, situações em que as pessoas se eliminam por diferenças raciais ou religiosas. “Jovens negros são efetivamente mais assassinados do que brancos; o racismo 'mata', a homofobia 'mata', o fundamentalismo religioso 'mata'”, pondera.

Portanto, segundo ele, o tema da tolerância se mostra fundamental para a educação, por ser preciso cultivar ou desenvolver o apreço por esse princípio desde sempre. “A tolerância é um mínimo. Ela não é onde queremos chegar, ela é um ponto de partida, é o sinal de um mínimo que a sociedade deve lutar para que aconteça”.

No dia 19 de maio, também na unidade CCE do Centro, às 14h30m, será realizado o encontro Dignidade e Valores Humanos, que reunirá assistentes sociais, especialistas da área de gerontologia e profissionais da cultura apresentando trabalhos aprovados para a Conferência Mundial SWSD 2016, conferência bienal que, este ano, será realizada em Seul, Coreia do Sul. A sede, no Centro, da Coordenação Central de Extensão da PUC-Rio fica na Rua Marechal Câmara, 186 – 7º andar. 
 

Por Renata Ratton

Vice-Reitoria Acadêmica
PUC-Rio

Publicada em: 04/05/2016


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